A escolha da vereadora Majô para assumir a Prefeitura de Maringá durante as férias de Silvio Barros não me parece um movimento tão simples quanto aparenta. Vejo nessa decisão uma série de mensagens — algumas claras, outras subliminares. Com a licença do prefeito para um curto período de descanso, o caminho natural seria a posse, mais uma vez, da vice-prefeita Sandra Jacovós.
No entanto, Sandra também se afasta sob a mesma justificativa: férias. É certo que Silvio usará esse tempo para se dedicar ao apoio às candidaturas do irmão, Ricardo Barros, e da sobrinha, Maria Victória, que disputam a reeleição para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa. Sem dúvida, a força política do prefeito turbina essas campanhas.
O estranho é a vice adotar o mesmo expediente, já que seu engajamento político não tem, nem de longe, o mesmo peso do de Silvio. Nesse contexto, fica evidente que sua saída foi fruto de um “combinado”.
Essa manobra deixa um recado direto: Majô é a escolhida. Como a eleição para a presidência da Câmara se aproxima e a base do prefeito começou a rachar — em meio às articulações de Mario Hossokawa (PP), que sonha em voltar ao cargo, e às investidas do líder Luiz Neto (Agir) —, o Executivo precisava se posicionar diante dos aliados. E o sinal foi dado.
Após essa curta temporada no comando do Paço Municipal, não restará espaço na base aliada para qualquer outro nome à presidência do Legislativo que não seja a atual dona da cadeira. A reeleição de Majô na Câmara ganha contornos de certeza.
Mas, nessa história toda, consigo enxergar outra mensagem escondida nas entrelinhas. A facilidade com que o grupo Barros jogou a vice-prefeita para o escanteio pode ser um aceno antecipado para a eleição de 2028 — algo que certamente já acendeu o sinal amarelo no QG do Delegado Jacovós.
Na última eleição municipal, a presença do PL era estratégica para a campanha de Silvio, que disputava contra a máquina pública e precisava agregar partidos estando fora do poder. Agora, com o mandato em mãos e a gestão começando a engrenar, a fila de legendas em busca de aliança será bem maior.
Na política, dizem que o vice agrega com votos ou com dinheiro pra campanha. No caso de Sandra, essa teoria desmoronou, já que os recursos foram poucos e os votos que agregou, menores ainda. Sua permanência na chapa para o processo de reeleição deixa de ser garantida, e uma sombra começa a surgir do outro lado da praça.
Uma sombra que carrega força política, a confiança total da família Barros e o protagonismo que qualquer vice-prefeito de uma cidade do porte de Maringá deveria ter.
Esta é apenas uma análise: a fotografia momentânea do tabuleiro de xadrez que é a política maringaense.
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